Comissão da ONU acusa Israel de 'extermínio' na Cisjordânia
A Comissão Internacional Independente de Investigação da ONU acusou Israel, nesta segunda-feira (26), de cometer crimes de "extermínio" contra os palestinos na Cisjordânia e manteve suas acusações de "genocídio" em Gaza.
Também denuncia o país por "tortura, estupro e outras formas de violência sexual, além de perseguição por motivos discriminatórios" como "nacionalidade, raça e origem étnica".
A comissão, que não fala em nome da própria ONU, determinou pela primeira vez em setembro de 2025 que Israel havia cometido "genocídio" na guerra que eclodiu em Gaza após o ataque do Hamas de 7 de outubro de 2023.
Israel rejeita categoricamente a conclusão. Seu embaixador em Genebra considerou o relatório como parte de uma "campanha de desinformação da comissão para demonizar o Estado de Israel e apresentar sua própria existência como criminosa".
- Condições de vida "inabitáveis" -
A equipe investigadora, composta por três membros, foi criada pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU em 2021. A recém-laureada com o Prêmio Nobel da Paz, a jurista sul-africana Navi Pillay, presidiu a investigação até novembro de 2025.
O novo relatório inclui homicídios e danos físicos e psíquicos causados tanto pelas forças israelenses quanto pelas palestinas desde outubro de 2023, quando ocorreu o ataque do Hamas e começou a guerra.
Em suas conclusões, afirma que a situação na Cisjordânia se degradou gravemente e acusa as autoridades israelenses de pretenderem "punir coletivamente" os palestinos pelo ataque do Hamas.
Segundo os investigadores, os ataques contra civis palestinos nesse território são "produto de uma política de Estado" na qual as autoridades contam com "a violência dos colonos".
"O assassinato e o ultraje deliberados de civis palestinos e a destruição de moradias na Cisjordânia (...) fazem parte de uma estratégia mais ampla para exterminar e deslocar os palestinos e impor condições de vida que se tornam inabitáveis", declarou o presidente da comissão, Srinivasan Muralidhar.
Israel deve "pôr fim imediatamente à ocupação ilegal do território palestino" e retirar todos os colonos e assentamentos, reivindicam os autores.
- Conclusões sobre o genocídio -
O ataque do Hamas em outubro de 2023 deixou 1.221 mortos, segundo um balanço da AFP baseado em números oficiais israelenses.
A ofensiva de represália de Israel deslocou quase toda a população de Gaza e causou a morte de mais de 74.200 pessoas, segundo o Ministério da Saúde desse território controlado pelo Hamas.
O relatório também acusa a Autoridade Palestina de "violência estatal", embora disponha de competências limitadas na Cisjordânia ocupada.
Segundo seus autores, a Autoridade Palestina "aponta contra palestinos que expressam opiniões civis e políticas dissidentes". Isso resulta em "homicídios" que não são objeto de "investigações rápidas, eficazes e imparciais", afirma a investigação.
Não houve reação imediata por parte da Autoridade Palestina.
A comissão deverá apresentar este relatório nesta segunda-feira à Assembleia Geral da ONU, em Nova York.
L.Leduc--PS