Quase 90% dos detidos em 'guerra' contra gangues em El Salvador não foram julgados
Quase 90% dos 93.000 detidos em El Salvador sob o regime de exceção do presidente Nayib Bukele, em vigor há quatro anos, ainda não foram julgados, segundo um balanço apresentado nesta terça-feira pelo Ministério Público (MP) do país.
A "guerra" de Bukele contra as gangues reduziu a criminalidade a níveis historicamente baixos em El Salvador, mas organizações humanitárias denunciam prisões arbitrárias, abusos, mais de 500 mortes de detidos e que milhares de pessoas estão incomunicáveis, sem terem sido levadas a julgamento.
O procurador-geral do país, Rodolfo Delgado, informou em reunião no Congresso que sua instituição registra pouco mais de 10.500 condenações, o que significa que quase 90% aguardam uma sentença. "Esses números e percentuais referem-se exclusivamente aos casos que já avançaram para a fase de julgamento. Esperamos que aumentem."
Delgado não especificou quais crimes foram incluídos no balanço, mas afirmou que as condenações abrangem desde infrações de menor gravidade até homicídios e estupros múltiplos cometidos por membros de grupos criminosos.
O MP também reportou 13 condenações à prisão perpétua por envolvimento com "organizações terroristas", homicídios e feminicídios, além de 244 absolvições e 10 arquivamentos.
Segundo a organização humanitária Socorro Jurídico, um terço das pessoas detidas sob o regime de exceção são inocentes.
Bukele reconheceu que seu governo libertou cerca de 8.000 pessoas, mas não esclareceu se elas ainda respondem a processos. Funcionários de seu gabinete as consideram parte de uma "margem de erro" nas capturas.
M.Marie--PS