Milhares de trabalhadores tomam La Paz em protesto contra o governo da Bolívia
Milhares de trabalhadores marcharam, nesta sexta-feira (22), na capital política da Bolívia para exigir a renúncia do presidente de centro-direita Rodrigo Paz, pressionado por uma onda de protestos, apesar de ter anunciado que ouvirá as reivindicações sociais, segundo a AFP.
"Que renuncie!", grita a multidão de camponeses, operários, mineradores, transportadores e professores que paralisam as ruas de La Paz, sede de governo isolada há três semanas por bloqueios de estradas que provocaram escassez de alimentos, combustíveis e remédios.
Com apenas seis meses no poder, Rodrigo Paz enfrenta a pior crise econômica do país andino desde a década de 1980, com uma inflação de 14% em 12 meses registrada em abril.
"Seis meses de governo e não conseguiu resolver o básico, os preços da cesta básica. Temos que escolher entre comprar carne ou comprar leite", diz na marcha Melina Apaza, de 50 anos, da região mineradora de Oruro (sul).
Vestidos com capacetes ou ponchos, os manifestantes, muitos empunhando bandeiras indígenas, avançam em direção ao centro da cidade.
Os acessos à praça de armas, em frente ao palácio do governo, estão protegidos com grades e vigiados por centenas de policiais antimotim.
Muitos comércios fecharam as portas e os vendedores ambulantes recolheram suas mercadorias por medo de saques.
Em meio à convulsão social, o governo anunciou nesta semana que reorganizaria seu gabinete com funcionários com "capacidade de escuta". Em sua primeira mudança, nomeou um novo ministro do Trabalho.
As reivindicações iniciais de aumentos salariais, combustíveis de qualidade e estabilização da economia se radicalizaram com o passar dos dias.
Agora, os manifestantes pedem a saída do presidente, que pôs fim a 20 anos de governos socialistas liderados por Evo Morales (2006-2019) e Luis Arce (2020-2025).
Cinquenta bloqueios foram registrados nas rodovias do país nesta sexta-feira, segundo dados oficiais. O governo informou que quatro pessoas morreram por não conseguirem chegar a tempo a hospitais.
J.Seguin--PS