Universidade Cornell revisará sua gestão de denúncia de estupro coletivo em 2024
O reitor da Universidade Cornell manifestou apoio, no sábado (3), a uma investigação externa sobre a forma como a instituição lidou com uma denúncia de estupro coletivo de uma estudante em 2024, que provocou uma onda de críticas.
O episódio foi detalhado em uma ação judicial apresentada no mês passado, que desencadeou duras críticas à universidade e aos promotores de Nova York por não apresentarem acusações criminais contra os supostos autores.
"Junto com nosso conselho de administração, acolho a revisão independente que será realizada por um escritório de advocacia externo sobre todos os aspectos da condução do caso de 2024 por Cornell", declarou o reitor Michael Kotlikoff em um vídeo publicado no site da universidade.
Na ação civil, a denunciante afirmou ter sido drogada com cetamina, agredida e estuprada por sete integrantes da fraternidade Chi Phi, uma associação estudantil masculina.
"Esta foi uma das semanas mais difíceis da nossa história, e sei que muitos de vocês estão indignados, tristes e passando por um momento difícil", prosseguiu Kotlikoff.
A investigação criminal sobre o estupro coletivo foi reaberta na última segunda-feira (28), depois que a governadora de Nova York, Kathy Hochul, designou a procuradora-geral do estado, Letitia James, para conduzir as apurações.
"Ela ficou sentada durante horas e disse [à polícia] exatamente o que havia acontecido. E, segundo as novas informações, não poderia ter sido mais clara ao explicar que tinha 100% de certeza de que tinha sido estuprada", afirmou Hochul.
No vídeo, Kotlikoff garantiu que Cornell "não vai esperar a conclusão da investigação ou da revisão para agir".
"Continuaremos tomando todas as medidas necessárias para fazer de Cornell uma instituição que lidere não apenas no que dizemos sobre esses temas, mas também no trabalho que fazemos para enfrentá-los".
Mensagens de apoio com a hashtag #IAmJaneDoe - um pseudônimo habitualmente usado no sistema judicial americano para proteger a identidade de uma pessoa - se multiplicaram em plataformas como TikTok, X e Instagram depois que o jornalista Michael Tracey pediu ajuda para revelar o nome da suposta vítima.
Alguns veículos americanos compararam essa onda de apoio na internet ao movimento #MeToo de 2017, quando milhões de mulheres compartilharam nas redes sociais relatos de agressões e assédio sexual após as revelações sobre o produtor de Hollywood Harvey Weinstein, hoje preso.
Após as acusações de estupro, Cornell fechou a fraternidade e suspendeu temporariamente os estudantes supostamente envolvidos, vários dos quais foram posteriormente expulsos.
As autoridades locais afirmaram que se recusaram a iniciar um processo judicial em 2024 porque o depoimento da denunciante não demonstrava a falta de consentimento nas relações sexuais.
Nos Estados Unidos, uma em cada quatro universitárias declarou ter sofrido contato sexual forçado ou contato sexual para o qual não pôde dar consentimento, segundo um estudo de 2020 realizado pela Associação de Universidades Americanas em 33 instituições de ensino.
J.Seguin--PS