Protestos contra crise da moradia continuam em Portugal
Dezenas de barracas continuavam de pé, nesta segunda-feira (19), no centro de Lisboa e do Porto, ocupadas por manifestantes que exigem medidas para conter os preços da moradia em Portugal, apesar das ameaças do governo de iniciar processos judiciais.
Na Praça Pedro IV, em Lisboa, dezenas de barracas coloridas permanecem instaladas desde sábado ao redor da coluna monumental que domina essa ampla esplanada pavimentada.
Em meio a esse acampamento improvisado, os manifestantes circulam, conversam e preparam cartazes e faixas, que depois penduram na base do monumento.
"Geração sem moradia", "Moradia é um direito, não um luxo", "Quero um lugar para morar", dizem alguns dos cartazes.
Os manifestantes acusam o governo de não agir diante da crise habitacional e de querer facilitar o despejo de inquilinos por meio de uma reforma no mercado de locação.
Miguel Gregorio, de 22 anos, reclama que ganha um salário mínimo de 920 euros (5.213 reais) e que, para ele, é impossível alugar um imóvel.
"Com 920 euros, não consigo pagar um aluguel de 1.500 euros (cerca de 8.500 reais). É uma questão matemática; até uma criança de cinco anos entenderia!", afirmou.
Em setembro, o Parlamento aprovou, em primeira votação, uma reforma para acelerar o despejo de inquilinos em casos de inadimplência, como parte de uma flexibilização do mercado de locação.
Q.Vincent--PS