Aumento da obesidade ofusca avanços em saúde pública dos últimos anos, diz OCDE
Os progressos alcançados desde 2010 em saúde pública para reduzir a poluição atmosférica e o sedentarismo perdem força diante do aumento da obesidade em muitos países da OCDE, segundo um relatório publicado nesta quarta-feira(15).
"Apesar de décadas de esforços", as doenças não transmissíveis (câncer, doenças respiratórias crônicas, cardiovasculares, diabetes... principais causas de morte no mundo) "continuam aumentando e representam um dos grandes desafios para a saúde das populações", assinala o relatório sobre os benefícios sanitários e econômicos de combater estas patologias.
Entre 1990 e 2023, a prevalência do câncer e da doença pulmonar obstrutiva crônica aumentou 36% e 49%, respetivamente, na OCDE. A das doenças cardiovasculares cresceu 27% na OCDE e 21% na UE, enquanto a diabetes disparou para 86% e 64%, respetivamente.
Em 2023, uma em cada dez pessoas nos países da OCDE era diabética e uma em cada oito vivia com uma doença cardiovascular (uma em cada doze e uma em cada sete na UE), segundo o relatório, baseado em modelos.
Isto deve-se em parte à melhoria das taxas de sobrevivência, "um sucesso incontestável em saúde pública, que significa que mais pessoas vivem mais tempo com doenças crônicas", mas também ao envelhecimento da população, dado que mais pessoas atingem idades em que estas afeções são frequentes.
Este aumento também está relacionado a "um crescimento significativo da obesidade", já que esta doença crônica eleva a incidência das doenças cardiovasculares.
A obesidade "anulou completamente o impacto positivo da redução da poluição atmosférica, do tabagismo, do consumo de álcool e do sedentarismo desde 2010 em muitos países dos 51 analisados", segundo o relatório.
Destes, 43% viram diminuir a incidência de doenças não transmissíveis, principalmente graças à redução da poluição atmosférica e do tabagismo, mas 57% registraram um aumento, sobretudo devido ao crescimento da obesidade.
N.David--PS