Israel anuncia morte de chefe de segurança do Irã e promete mesmo destino a Khamenei
Israel prometeu nesta terça-feira (17) "neutralizar" o novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, após anunciar que matou Ali Larijani, chefe do Conselho Supremo de Segurança e figura-chave do regime há décadas, que atuava como um dos estrategistas da guerra.
Se confirmada por autoridades iranianas, a morte de Larijani representará um duro golpe para a república islâmica, em meio a uma guerra na qual mais de mil pessoas morreram e milhões foram obrigadas a se deslocar no Oriente Médio, principalmente no Líbano e no Irã.
O conflito fez dispararem os preços do petróleo depois que o Irã bloqueou o Estreito de Ormuz. O presidente americano, Donald Trump, está em uma queda-de-braço com seus aliados para que o ajudem em uma missão militar para reabrir essa via marítima estratégica.
O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, anunciou no começo do dia a morte de Larijani e do general Gholamreza Soleimani, chefe da milícia iraniana Basij. Horas depois, a Guarda Revolucionária do Irã confirmou a morte de Soleimani, sem mencionar o primeiro.
Matemático e filósofo de formação, e veterano da guerra Irã-Iraque (1980-1988), Larijani foi ministro da Cultura, diretor da rádio e televisão pública, coordenador das negociações sobre o programa nuclear, presidente do Parlamento, candidato à Presidência e, nos últimos anos, chefe do Conselho Supremo de Segurança.
Larijani teve um papel muito mais visível desde o começo da guerra, ainda mais preponderante em um momento de incerteza sobre a situação do aiatolá Mojtaba Khamenei, que não é visto em público desde a morte de seu antecessor, Ali Khamenei, no início do conflito.
"Não se ouve nem se vê Mojtaba Khamenei, mas posso dizer uma coisa: continuaremos perseguindo todos que representarem uma ameaça a Israel", afirmou o porta-voz militar israelense.
Larijani foi um dos funcionários sancionados pelos Estados Unidos em janeiro pelo que Washington chamou de "repressão violenta do povo iraniano", após os protestos em todo o país que começaram no fim de 2025.
À noite, a TV iraniana exibiu imagens de multidões reunidas com bandeiras do Irã em resposta ao apelo de autoridades para que se manifestassem contra "os complôs" do inimigo.
Nesta data, os iranianos costumam sair às ruas para celebrar o ano-novo persa. Houve festividades em Teerã com fogos de artifício, em meio aos estrondos dos sistemas de defesa aérea.
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Desde o início da guerra, o Irã ataca interesses americanos, instalações energéticas e infraestrutura civil de seus vizinhos do Golfo e, como medida de pressão adicional, mantém um bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde normalmente transitam 20% das exportações mundiais de petróleo e gás.
Além disso, o presidente americano criticou o primeiro-ministro britânico, o trabalhista Keir Starmer, por negar seu pedido de ajuda. "Não mostrou apoio, e acho que é um grande erro", disse Trump a jornalistas no Salão Oval da Casa Branca. "Estou decepcionado", acrescentou.
No campo doméstico, Trump enfrenta o anúncio da demissão do diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo dos Estados Unidos (NCTC), Joseph Kent, que apresentou sua renúncia nesta terça, alegando que "não pode, conscientemente, apoiar a guerra em curso no Irã".
Trump declarou que a demissão foi "algo bom" e qualificou Kent como alguém "muito fraco no tema da segurança".
O Líbano se tornou outra frente de batalha quando o movimento pró-Irã Hezbollah atacou Israel em 2 de março para vingar a morte de Khamenei. Desde então, 912 pessoas morreram no Líbano e há mais de um milhão de deslocados.
Se a guerra no Oriente Médio se estender, poderia provocar uma crise de refugiados "permanente", alertou, nesta terça-feira, o ministro turco das Relações Exteriores, Hakan Fidan.
Em Sidon, no sul do Líbano, muitos deslocados dormem em seus carros devido à falta de albergues.
"A cada dia chegam muitas pessoas buscando refúgio, mas não temos mais espaço", disse Jihan Kaisi, diretora de uma ONG que administra uma escola transformada em albergue, onde vivem amontoadas mais de 1.100 pessoas.
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E.Roger--PS