Pillay dedica seu Nobel da Paz aos 'sobreviventes de crimes internacionais'
A recém-anunciada ganhadora do Nobel da Paz, a juíza sul-africana Navi Pillay, dedicou nesta sexta-feira (9) o seu prêmio aos "sobreviventes de crimes internacionais" em sua primeira aparição pública após o anúncio da premiação.
"Permitam-me dedicar este prêmio a todos os sobreviventes de crimes internacionais", disse a juíza de 85 anos, falando no histórico tribunal de Nuremberg, onde os líderes nazistas foram julgados após a Segunda Guerra Mundial.
"Talvez estivesse destinado que eu estivesse nesta histórica sala de audiências (...) quando o anúncio foi feito e fui informada sobre o prêmio", disse Pillay.
A juíza, que dedicou sua carreira à defesa do direito internacional, também denunciou os ataques contra as instituições jurídicas internacionais.
"Vivemos em uma época em que o direito internacional e os direitos humanos são alvo de ataques políticos. Essa degradação é particularmente visível nos ataques contra o Tribunal Penal Internacional", ressaltou.
No mês passado, o presidente americano, Donald Trump, pediu que todos os países que integram o Tribunal Penal Internacional (TPI) abandonassem a instituição, a qual acusou de estar "fora de controle".
"Os Estados Unidos também se opõem a essa instituição fora de controle que é o Tribunal Penal Internacional", declarou Trump da tribuna da ONU. "Exorto todos os países membros do TPI a se retirarem oficial e imediatamente", acrescentou.
Nesse sentido, Pillay afirmou nesta sexta-feira: "Minha mensagem aos líderes, aos dirigentes políticos, é que (...) eles têm a obrigação legal de proteger os direitos humanos e de se abster de fazer a guerra".
Sua trajetória a levou dos tribunais sul-africanos, onde defendeu ativistas contra o Apartheid, como Nelson Mandela, e conquistou direitos fundamentais para presos políticos, até o Tribunal Penal Internacional para Ruanda, passando pelo TPI.
Ela presidiu a comissão encarregada pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU de investigar violações de direitos humanos nos territórios palestinos e em Israel.
Israel rejeitou categoricamente as conclusões da comissão, classificando-as como "distorcidas e falsas".
I.Moreau--PS